Os partidos políticos brasileiros começaram a estabelecer novos mecanismos internos para tentar impedir que pessoas vinculadas a facções, milícias ou outras organizações criminosas disputem as eleições de 2026. A movimentação ganhou força após recomendação do Ministério Público Eleitoral (MPE), que cobrou providências das legendas diante do risco de infiltração do crime organizado na política.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, publicada nesta segunda-feira (10), as medidas começaram a ser estruturadas a partir de junho e incluem verificação de documentos, certidões criminais, patrimônio e declarações dos próprios pré-candidatos sobre eventual ligação com grupos criminosos.
A recomendação do Ministério Público Eleitoral prevê a criação de protocolos de integridade que permitam às siglas conhecer o histórico criminal dos filiados interessados em concorrer. Também sugere estruturas internas, como comissões de sindicância ética, capazes de analisar histórico social, vínculos territoriais e compatibilidade patrimonial dos postulantes.
O objetivo é identificar sinais de financiamento ilícito ou possível submissão de candidatos aos interesses de organizações criminosas.
A cobrança veio acompanhada de uma advertência relevante. O Ministério Público indicou a possibilidade de acionamento da Justiça Eleitoral diante de situações consideradas resultado de “dolo e desídia deliberada dos dirigentes partidários”.
A iniciativa provocou reação dentro das próprias legendas. Dirigentes ouvidos pela Folha sustentam que os partidos não dispõem dos mesmos instrumentos de investigação existentes na Polícia ou no Ministério Público e poderiam enfrentar ações judiciais caso impedissem uma candidatura com base apenas em suspeitas.
O presidente do Mobiliza, Carlos Massarollo, afirmou que as legendas não possuem meios investigativos equivalentes aos das autoridades responsáveis pela persecução criminal.
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