Há decisões que podem ser explicadas pela letra dos autos, mas que, fora deles, deixam uma pergunta inevitável: onde ficou a sensibilidade humana?
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o pedido da defesa de Jair Bolsonaro para que o ex-presidente pudesse receber os filhos Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro neste domingo, Dia dos Pais.
A solicitação foi apresentada pela defesa como uma medida de caráter humanitário e familiar. Ainda assim, Moraes manteve as restrições às visitas impostas anteriormente a Bolsonaro.
E é exatamente esse ponto que coloca Alexandre de Moraes EM QUEDA.
Independentemente das posições políticas de Jair Bolsonaro ou das medidas judiciais às quais está submetido, havia uma circunstância excepcional: um pai e seus filhos no Dia dos Pais.
Flávio, Carlos e Jair Renan queriam visitar o pai. Não se tratava, conforme apresentado pela defesa, de ato eleitoral ou reunião partidária.
Moraes poderia ter autorizado o encontro estabelecendo condições, horário determinado e todas as limitações que julgasse necessárias. Preferiu dizer não.
A autoridade de uma decisão judicial não se torna menor quando acompanhada de humanidade. Pelo contrário: instituições fortes não precisam demonstrar força ignorando situações familiares excepcionais.
O episódio, portanto, ultrapassa Jair Bolsonaro.
A questão que permanece é simples: até onde deve ir o rigor quando existe espaço para conciliar a decisão judicial com um gesto de humanidade?
No Dia dos Pais, Alexandre de Moraes teve a oportunidade de responder a essa pergunta com sensibilidade.
Escolheu a caneta. Faltou empatia.
Fonte: Blog do César Wagner
