Estudo reclassifica mortes violentas de causa indeterminada e altera o ranking nacional da violência
O Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que o Brasil pode ter registrado um número significativamente maior de homicídios em 2024 do que o contabilizado nas estatísticas oficiais. Segundo o estudo, aproximadamente 7.083 mortes classificadas como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCIs) apresentavam características compatíveis com homicídios e, por isso, foram tratadas como homicídios ocultos estimados por meio de metodologia estatística.
Com a inclusão dessas estimativas, o Ceará passa a apresentar uma das situações mais preocupantes do país. A taxa de homicídios estimados sobe de 34,3 para 43,7 mortes por 100 mil habitantes, colocando o estado na segunda posição nacional em violência letal, atrás apenas do Amapá. O levantamento também mostra que Maranguape (1º), Maracanaú (3º), Itapipoca (4º) e Caucaia (5º) figuram entre os municípios com as maiores taxas estimadas de homicídios do Brasil.
Pelos cálculos baseados nas taxas divulgadas pelo Atlas da Violência 2026, o Ceará teria aproximadamente 870 homicídios ocultos estimados em 2024. O Atlas não publica esse número em valores absolutos; a estimativa decorre da diferença entre a taxa oficial (34,3 por 100 mil habitantes) e a taxa estimada (43,7 por 100 mil habitantes).
"O Atlas da Violência estimou que cerca de 7.083 mortes registradas como MVCIs tinham forte probabilidade de serem homicídios, classificando-as como 'homicídios ocultos'."
O Atlas ressalta que os chamados homicídios ocultos não são homicídios oficialmente confirmados, mas sim uma estimativa técnica construída a partir da análise das Mortes Violentas por Causa Indeterminada. A metodologia busca corrigir distorções provocadas por registros incompletos ou pela impossibilidade de definir, no momento da emissão do atestado de óbito, a causa exata da morte.
O estudo também identifica outros indicadores preocupantes no Ceará. O estado apresenta a maior taxa de homicídios de mulheres negras do país, de 7,2 mortes por 100 mil habitantes, além de apontar que pessoas negras têm 5,5 vezes mais probabilidade de serem vítimas de homicídio em comparação com pessoas não negras. Para os pesquisadores, o aperfeiçoamento da investigação criminal, da perícia e da qualidade dos registros oficiais é fundamental para reduzir a subnotificação e fornecer diagnósticos mais precisos sobre a violência letal no Brasil.
Pelos cálculos baseados nas taxas divulgadas pelo Atlas da Violência 2026, o Ceará teria aproximadamente 870 homicídios ocultos estimados em 2024. O Atlas não publica esse número em valores absolutos; a estimativa decorre da diferença entre a taxa oficial (34,3 por 100 mil habitantes) e a taxa estimada (43,7 por 100 mil habitantes).
CÁ PRA NÓS: Os dados do Atlas da Violência 2026 merecem uma resposta clara do Governo do Ceará. Ainda que os chamados "homicídios ocultos" sejam estimativas estatísticas — e não homicídios oficialmente confirmados — o fato de o estado passar a figurar como o segundo mais violento do país quando essa metodologia é aplicada exige explicações. É importante que o governo apresente informações sobre a qualidade dos registros de mortes violentas, as medidas adotadas para aprimorar a investigação e a perícia criminal e quais ações estão sendo implementadas para reduzir a violência letal. Transparência e prestação de contas são fundamentais para que a sociedade compreenda os números e possa avaliar a efetividade das políticas de segurança pública.
Fontes: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Atlas da Violência 2026, Fórum Brasileiro de Segurança Pública – coautor do Atlas da Violência, BBC News Brasil, g1 e Estadão.
Fonte/; Blog do César Wagner
