Estados vizinhos aceleram crescimento industrial enquanto Ceará tenta manter competitividade.
A disputa por investimentos industriais no Nordeste se tornou cada vez mais intensa nos últimos anos, colocando o Ceará diante de um ambiente competitivo envolvendo Bahia, Pernambuco e Piauí. Embora o estado ainda mantenha posição relevante na geração de empregos industriais e na força do setor de transformação, dados recentes mostram avanço consistente de concorrentes regionais em áreas estratégicas, aumentando a pressão sobre a competitividade cearense. Segundo levantamento da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, a produção industrial do Ceará encerrou 2025 com retração de 0,6%, enquanto a Bahia foi o único estado nordestino pesquisado a registrar crescimento anual, com alta de 0,3%.
Os números também revelam oscilação frequente na atividade industrial cearense. Em diferentes períodos recentes, o estado apareceu entre os maiores recuos industriais do país, sobretudo em setores tradicionais como confecção, metalurgia, máquinas elétricas e produtos químicos. Dados do IBGE mostraram que a indústria cearense chegou a registrar perdas de 6% no acumulado de 12 meses em determinados levantamentos, desempenho considerado um dos mais fracos do Brasil naquele período. Enquanto isso, Pernambuco apresentou crescimento industrial de 6,5% em levantamento regional do IBGE, impulsionado principalmente por logística, alimentos e infraestrutura produtiva.
O Piauí também passou a ocupar espaço importante na disputa regional por investimentos, especialmente após avanços nos setores de energia renovável, agronegócio, mineração e logística. O estado vem atraindo projetos ligados à energia solar e cadeias industriais voltadas à exportação, aproveitando incentivos fiscais e custo operacional mais baixo em determinadas áreas. Empresários do setor avaliam que o crescimento da infraestrutura logística piauiense, somado à proximidade com novos corredores econômicos do Matopiba, colocou o estado em posição cada vez mais competitiva dentro do Nordeste.
Apesar das dificuldades, o Ceará ainda preserva pontos fortes importantes na região. O estado possui uma das maiores concentrações proporcionais de empregos industriais do Nordeste, com destaque para os segmentos de calçados, alimentos, vestuário e têxtil, setores fundamentais para cidades do interior. Além disso, o Porto do Pecém continua sendo peça estratégica para atração de investimentos ligados ao hidrogênio verde, siderurgia, energia e exportações. Ainda assim, representantes do setor produtivo avaliam que estados vizinhos passaram a disputar empresas e projetos com incentivos fiscais agressivos, menor burocracia e maior velocidade em licenciamentos, aumentando a pressão sobre a economia cearense nos próximos anos.
Fonte: Blog do César Wagner
