Queda na oferta de carnes, leite e ovos pressiona preços, enquanto café pode aliviar parcialmente
A combinação de fatores internos e externos começa a pressionar o custo dos alimentos no Brasil, com destaque para o impacto do ciclo pecuário sobre os preços. Além da alta recente no diesel e das tensões internacionais que encarecem fertilizantes, produtores rurais enfrentam mudanças estruturais na oferta, o que já projeta aumento nos preços de carnes, leite e ovos nos próximos meses. A lógica é direta: após um período de queda nos preços pagos ao produtor, houve redução na produção, o que tende a diminuir a oferta e encarecer os produtos ao consumidor.
No caso das carnes de frango e suína, o excesso de oferta no ano passado derrubou os preços em até 50% e 22%, respectivamente, levando produtores a reduzir a criação de matrizes. Com menos animais disponíveis agora, a tendência é de elevação nos preços. O mesmo ocorre no setor leiteiro: após recorde de produção e forte queda nos valores pagos — chegando a cerca de R$ 2 por litro, abaixo do custo — muitos produtores deixaram a atividade. Esse movimento reduz a oferta e pressiona os preços. Em sentido oposto, o café surge como exceção: após anos de baixa produtividade, a expectativa é de safra elevada, próxima de 66 milhões de sacas, o que pode contribuir para a queda dos preços, mesmo diante da forte demanda externa.
Fonte: Blog do César Wagner
