O Brasil é mesmo um país criativo: quando se pensa que já se viu de tudo em matéria de idolatria política, surge um samba-enredo embalado como “narrativa histórica” para celebrar Luiz Inácio Lula da Silva na Sapucaí, com direito a discurso de que não há viés eleitoral algum — apenas poesia pura, desinteressada e patriótica. A linha entre arte e bajulação virou um risco de lápis apagado à borracha, enquanto críticos são tratados como mal-intencionados por ousarem enxergar o óbvio. No país onde tudo vira espetáculo, até a política ganha fantasia, plumas e surdo marcando o compasso do cinismo, como se exaltar poderosos em plena avenida fosse apenas mais um ato inocente de “amor à democracia”.
Fonte: Blog do César Wagner
